Notícia

07/01/2016 09h14

ENTREVISTA: “O sentido da minha música é o encontro”

Cantora, pelotense, socióloga, feminista e apaixonada por samba e bossa nova. Essa é Xana Gallo, que dialoga com todos os públicos com sua música.

Por Grazieli Gotardo/Nosso Bem Estar Pelotas Zona Sul

Foto: Paty Custódio
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“Gente Humilde”, de Vinicius de Moraes, Chico Buarque e Garoto, é a música da vida de Xana Gallo, cantora pelotense que há 14 anos transita nos palcos da cidade. Aos 30 anos apenas, Xana é socióloga de formação e envolvida em projetos sociais, que também são a marca de seu trabalho musical. Samba e bossa nova são seus estilos favoritos, com a influencia de mestres como Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Noel Rosa, entre outros. Nesta entrevista ela conta um pouco de sua história, inspirações e projetos de vida e música.

Como a música chegou em sua vida e quando percebeu que ela seria sua vida?
Xana
- A música entrou muito cedo na minha vida, em casa, pois minha mãe tem bastante musicalidade e cantava muito para mim. Na minha casa havia muitos discos de vinil de Vinicius de Moraes, Maria Bethânia, Clara Nunes, Chico Buarque, com os quais eu brincava, ouvindo. Com seis anos de idade minha mãe me colocou na Escola de Música Beatriz Rosselli, onde permaneci por dez anos. Eu era solista nas apresentações semestrais da escola nos teatros Guarany e Sete de Abril. Ainda criança, entrei também para o Conservatório de Música de Pelotas e fazia aulas particulares de canto. Só saí da escola de violão quando fui morar em Porto Alegre para fazer faculdade de Sociologia. 

Qual o sentido da tua música?
Xana
- O sentido da minha música é o encontro. Nela me encontro com meus mestres, com um tempo que não tive a oportunidade de vivenciar, comigo mesma, pois tenho uma musicalidade natural desde criança e é também um encontro com as pessoas, pois é através da minha composição que se dá a minha comunicação direta com o público, seja ele de jovens, idosos ou crianças.

O que te inspira a compor? 
Xana
- O que me inspira a compor é sempre o que me inquieta, incomoda, perturba e que preciso expressar, “por para fora”, “resolver” de alguma forma. A maneira que encontro para expressar a minha indignação ou a minha necessidade de transbordar o sentimento é a música. Componho, também, para abordar temas pouco falados e que acho que deveriam ser mais debatidos, como o Alzheimer, o pouco espaço do negro na nossa sociedade e a maneira muito singular e generosa que nós mulheres temos de amar. As minhas composições mais recentes falam de amor, um amor verdadeiro, correspondido, de entrega e reciprocidade, porque isto também me causa espanto e comoção.

Você é bastante envolvida em causas sociais. O que isso significa na sua vida e na sua música?
Xana
- Minha música está diretamente ligada à realidade social. Custei a entender isto, mas é a verdade, minha música não é apenas melodia e cantar por cantar, por aplausos. Não dou muita importância para isto. O que sei é que não consigo mais desvincular a minha música das questões sociais. Hoje tudo caminha em paralelo e entrelaçado. Minhas composições abordam temas sociais. É claro que componho músicas de amor, mas mesmo as composições românticas retratam um universo feminino que precisa se valorizar cada vez mais. Sou uma feminista assumida. Tenho cantando em projetos e lugares que tenham sentido para mim e que dialoguem com o espírito das minhas músicas, que valorizem as mulheres e que não façam as mulheres meras coadjuvantes na música, porque isto acontece muito na música. 

Por que cantar bossa nova e samba?
Xana
- Canto Bossa Nova e Samba porque foram as minhas primeiras influências na infância e, mais tarde quando pude escolher, conhecendo a fundo outras linguagens musicais, tive a certeza que o Samba é a música mais rica que nós temos. Na verdade o Samba, o Choro e a Bossa são nossos patrimônios e nesses estilos temos o que há de melhor na música mundial.

Como avalia o cenário musical de Pelotas atualmente?
Xana
- Temos artistas maravilhosos na nossa cidade! Estes artistas fazem milagre com os poucos recursos que têm. Preenchem espaços como o Mercado Público, a Esplanada do Artista e alegram a população gratuitamente. Com relação à remuneração do artista profissional, infelizmente temos um Teatro fechado e os cachês estão cada vez mais baixos. Jogar tudo para o alto? Não. “O show tem que continuar.”

2016: clipes e músicas inéditas
Muitos são os projetos de Xana para este ano como o lançamento de clipes e músicas inéditas em suas redes sociais, com vídeos ambientados em Pelotas, além de continuidade de projetos Xana Gallo Terceto, um show autoral de SamBossa Jazz; Maracangalha, show carnavalesco para maturidade e “A cantora, o poeta e a criação”, que são oficinas de criação artística para crianças e maturidade. Seu CD de Xana Gallo “Mulheres, sons, liberdade” também está à venda na cidade.

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