Saúde Integral

13/01/2014 11h48

Humanização do parto ganha força no Brasil

Modelo vigente é centrado no sistema médico e nos hospitais

Por Nosso Bem Estar

O RENASCIMENTO DO PARTO/ DIVULGAÇÃO/ NBE
O renascimento do parto

Filme brasileiro O Renascimento do Parto foi lançado em 2013

Um dos eventos naturais mais importantes para a humanidade está sendo ressignificado. Em alguns séculos, a forma como nascemos passou de um fenômeno simples, protagonizado pela mulher, para um ato cirúrgico centrado na figura do médico. Para muitos isto pode não representar um problema, mas o alto índice de cesarianas em todo o planeta preocupa especialistas e está em pleno debate na sociedade brasileira. Hoje cada vez mais famílias aderem ao movimento pela humanização do parto.

O assunto gera polêmica e tem provocado muitas reflexões, o que ganhou força depois do lançamento do filme O Renascimento do Parto, em 2013. O documentário apresenta depoimentos de profissionais, pesquisadores, mães e pais sobre suas experiências com o parto. O objetivo não é contestar a importância do amparo hospitalar e da cirurgia abdominal, que quando necessária pode salvar vidas, mas sim propor uma urgente mudança de paradigmas em relação aos rumos que o nascimento está tomando no século 21.

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Assista o filme promocional de O Renascimento do Parto: 

O Brasil é campeão mundial de cesarianas. Em 2010 o percentual superou o de partos normais, atingindo 52% do total de nascimentos no país. Hoje estima-se que esse número esteja em 56%. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que essa taxa não ultrapasse 15%, sob o risco de graves consequências maternas e perinatais.

Os dados oficiais parecem contradizer os de outra pesquisa, que indica mais de 80% das brasileiras optando pelo parto normal. A diferença mostra que o elevado índice de partos cirúrgicos não está associado apenas à vontade das mulheres, mas principalmente ao sistema médico e financeiro que rege o nascimento. Para muitos planos de saúde, hospitais e obstetras não é conveniente - e nem economicamente interessante - estimular a espera pelo fenômeno natural.

Os especialistas entrevistados pelo filme confirmam: o trabalho de parto é fundamental para o nascimento, além de muito mais seguro e saudável. Tão graves quanto o número de cesarianas desnecessárias são as intervenções perigosas e traumáticas realizadas para acelerar o nascimento.

Além disso, diversos mitos colaboram para que as mulheres não queiram ou não consigam ter seus partos de uma maneira fisiológica e natural.

Leia nossa matéria sobre os mitos e fatos que envolvem o parto normal.

A mulher como referência

Para o médico obstetra Ricardo Herbert Jones, especialista em parto humanizado, é fundamental retomar o protagonismo da mãe para que o parto volte a ser encarado como um evento natural. “Para o surgimento do modelo obstétrico contemporâneo, centrado na figura do médico, na patologia e nos hospitais, na produção em série, foi disseminada a ideia de que a mulher é  incompetente, incapaz de dar conta do processo de nascimento”, comenta.

Confira entrevista completa com o médico Ricardo Jones.

Pela orientação da OMS, o lugar mais indicado para a mulher ter o seu filho é onde ela se sente segura. Isso pode ser num hospital, numa casa de parto ou no próprio ambiente doméstico. “E todas têm que ser contempladas pelo nosso sistema de saúde”, afirma o obstetra.

A história aponta que nas civilizações pré-agriculturais o parto costumava ser muito mais simples e mais rápido. “A forma como são atendidos os partos na sociedade contemporânea industrializada é um evento muito novo, se levarmos em consideração o tempo em que a humanidade está presente na face da Terra”, ressalta o especialista.

Hormônios do amor

Segundo a antropóloga Barbara Katz-Rothman, “parto não significa apenas fazer bebês, mas construir mães fortes para enfrentar os desafios da maternagem”. Mais do que um processo biológico, trata-se de um rito de passagem, um capacitador das etapas seguintes. E para compreender o que está acontecendo neste momento sem precedentes na história da humanidade precisamos antes entender alguns processos biológicos.

A substância responsável por provocar as contrações que caracterizam o trabalho de parto é a oxitocina (ou ocitocina), também chamada de “hormônio do amor”. Suas funções permeiam todas as relações de afeto, mas a principal é estreitar o vínculo afetivo entre mãe e filho.

Conforme o cientista e médico obstetra francês Michel Odent, considerado uma das maiores referências em obstetrícia, mundialmente o número de mulheres que dá à luz pela liberação natural dos hormônios do amor está se aproximando de zero. O uso de oxitocina sintética é cada vez mais difundido, o que põe em risco o seu sistema de produção, que aos poucos deixa de ser utilizado.

A longo prazo a consequência desta artificialização pode significar um grande problema: como podemos imaginar uma civilização que deixa de produzir os hormônios do amor? Vale refletir.

Parto na água

Na internet têm circulado muitos relatos sobre partos realizados de forma mais natural. Um dos mais comentados foi o nascimento do pequeno Benjamin, filho da modelo internacional Gisele Bündchen. A pop estar brasileira fez questão de dar à luz na banheira de sua casa, com o amparo de uma parteira e os cuidados de uma doula.

Saiba mais sobre as doulas e o seu papel no parto em nossa matéria.

Outro conteúdo que chama a atenção na rede foi compartilhado pelo russo Vladimir Bagrianski, que registrou o nascimento dos seus quatros filhos no oceano. O ensaio "Nascer no mar" traz as imagens de sua esposa durante os partos, que aconteceram entre 1986 e 1992.

Confira as imagens da família de Bagrianski:

Acompanhe outras informações e histórias sobre o parto humanizado em www.facebook.com/orenascimentodoparto.

Fontes: O Renascimento do Parto - www.orenascimentodoparto.com.br, médico obstetra Ricado Herbert Jones, Rede Parto do Princípio – www.partodoprincipio.com.br, Grupo de Apoio à Maternidade Ativa – www.maternidadeativa.com.br, livro "A doula no parto", de Fadynha.

 

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